Para exemplos ver: " Como Interpretar documentos em Português Arcaico " Ou para perguntas e respostas: " Genforum Familia Azevedo "

Genealogia Popular Portuguesa

Um Guia Muito Simples

COMO SE COMEÇA UMA ÁRVORE GENEALÓGICA?

Certidões de Nascimento, ou Baptismo, em Portugal, mostram os nomes dos pais e dos avós paternos e maternos e de que freguesias todos eles são oriundos.

Uma boa prática é procurar Certidões de Casamento dos pais em anos precedentes ou brevemente seguintes ao nascimento. Estas são valiosas, por terem usualmente a lista dos avós paternos e maternos dos dois esposos e as respectivas freguesias de aonde são oriundos.

Sabendo o nome e a freguesia de uma pessoa, há que saber o ano em que nasceu para então requerer certidões aos respectivos escritórios de Registo Civil.

Se não há informação sobre as datas de nascimento, os empregados dos Registos têm que fazer uma pesquisa por vários anos, o que se torna por vezes caro e demorado.

A fórmula é simples: para achar o ano em que pode ter nascido o pai ou mãe de um indivíduo, subtrai-se ao ano em que ele nasceu uns 15 a 50 anos mais ou menos, porque essas são usualmente as idades mínimas e máximas de ter filhos e também de casar.

Como isto dá ainda um período de pesquisas de 35 anos há que simplificar! Começa-se pois pelo mais plausível, aos 20 anos, e vai-se andando para trás e para a frente, ano por ano, até possivelmente se encontrar o que se procura.

Este método serve para todas as pesquisas até não se encontrarem mais registos.

Quando uma pessoa casa, se divorcia ou morre, alem de ser feita uma certidão para esse acontecimento, é costume adicionar à margem esquerda do documento original de nascimento, o que aconteceu, a data e o local.

AONDE PROCURAR

As certidões mais modernas encontram-se nos Escritórios (locais) de Registo Civil.

Ao fim de cem anos, mas nem sempre muito regularmente, os livros de registos são transferidos para os Escritórios de Registos Distritais e ao fim de cerca de duzentos anos passam para a Torre do Tombo em Lisboa.

Em Portugal temos a boa fortuna de muitos dos registos, dos últimos quinhentos anos, aproximadamente, foram feitos em duplicado pelo padre que primeiro os escreveu. Uma cópia é enviada aos Registos Civis, e, outra guardada na igreja da freguesia. Assim, se uma cópia se perdeu ao longo dos anos, há pelo menos, uma possibilidade de se encontrar a outra.

Por questões de protecção à privacidade de todos os indivíduos ainda vivos, existe uma convenção, em muitos países, de não se autorizarem essas pesquisas fisicamente, nos livros, nem dar qualquer informação de caracter sensitivo até cem anos após o nascimento da pessoa.

Depois desses cem anos, qualquer pessoa idónea pode consultar pessoalmente os livros de registos em excelentes salas de leitura providenciadas muito generosamente, com pessoal muito gentil e amigo de ajudar.

PESQUISADORES PROFISSIONAIS

Devido à dificuldade de passar vários dias a fazer pesquisas em repositórios locais noutras cidades, torna-se por vezes mais barato e rápido, usar os serviços de um Genealogista profissional.

Hoje, em Portugal, há muitos estudantes e estudiosos, que trabalham neste campo, com excelentes resultados, que, claro já com experiência, conseguem encontrar coisas muito mais facilmente, que um simples (ou mesmo sofisticado) amador.

O custo, e o método de despesa, variam. Assim, um senhor que fez excelentes pesquisas para mim, cobrava por cada certidão encontrada um preço baseado num múltiplo do custo de uma certidão no Registo Civil, levasse cada uma, muito ou pouco tempo a encontrar. Preferi, esse método a outros que levam o dinheiro à hora, porque estando longe, sem ideia das dificuldades locais, assim parece mais justo.

ORGANIZAÇÃO DE UMA ÁRVORE GENEALÓGICA

E vamos começando a construir uma simples árvore genealógica:

Os números a vermelho, mostram um método muito fácil e popular de dar

"Números de Referência" que positivamente identificam os indivíduos na arvore.

REGRAS:

Os cavalheiros têm todos um número par e as senhoras ímpar.

Esposas são sempre o número igual ao do marido, mais um.

Os pais são sempre o número que é o dobro do dos filhos. As mães o dobro mais um.

"Números de Referência" facilitam muito os estudos quando já existe uma quantidade elevada de familiares, principalmente com o hábito de pôr os nomes de avôs, ou pais, aos novos rapazes e Maria a praticamente todas as meninas!

Muitas vezes é desejável entrar informações para outros membros da família que não são antepassados ou descendentes directos, Então, neste método, irmãos e irmãs adquirem o mesmo numero que o indivíduo, seguido da letra I (para Irmãos) e de um número de ordem.

Tenho visto casos aonde não se consegue encontrar um antepassado, mas sim um irmão ou irmã, o que providencia os nomes dos outros antepassados anteriores.

CERTIDÕES E OUTRAS FONTES DE INFORMAÇÃO

Felizmente há uma certa homogeneidade na forma como as certidões eram e são escritas.

Em 1545 o Papa Paulo III convocou um Concílio em Tridento. Concílio que eventualmente teve um dos resultados que mais interessam a genealogistas: que todos os padres da Igreja Católica foram obrigados a seguir certas regras, quando registando eventos, nas suas paróquias.

Muitos dos registos antigos que encontramos mencionam que foram feitos na "forma do Sagrado Concilio Tridentino e Constituição deste Bispado", mas as datas em que isso começou a se tornar prática variam entre Bispados e até Freguesias.

Este Concílio não foi aceite sem numerosos e complicados argumentos, que historicamente duraram por vários séculos, mas felizmente para as nossas pesquisas, teve grande efeito prático na escrita de certidões em Portugal.

A princípio é bastante fácil, mas encontrar Registos Paroquiais relevantes, de anos anteriores a 1600 torna-se gradualmente mais difícil embora tenhamos muitas igrejas muito mais antigas. Por vezes, há que procurar informações noutras fontes.

Documentos que são valiosos, mas requerem pesquisa muito paciente e morosa, são por exemplo: Testamentos, Inquirições, Autos de Fé, Registos de Propriedade, Cartas Reais de Doação ou Apontamentos de Ofício, Registo Geral de Mercês (Reais), Registos Militares, Censos, Listas de Contribuintes, Rol de Membros de Sociedades, etc.

Famílias "nobres" têm essa pesquisa muito facilitada, por livros de genealogia escritos há muito. O "Armorial Lusitano", o "Nobiliário de Famílias de Portugal" de Felgueiras Gayo,

"A Monarquia Lusitana", "O Guia das Famílias Nobres" e muitos outros livros, são fontes de muita informação, embora por vezes questionável pois era "fino" ser descendente de Afonso Henriques ou Carlos Magno, mesmo que a verdade fosse temperada com um pouco de sal de imaginação.

Por causa da Inquisição, durante certas épocas, ninguém podia admitir ascendência Protestante, Judia, Moura, Cigana ou de qualquer grupo menos aceite pelos desconfiados e perigosos inquisidores. Então quem quisesse um lugar no clero tinha que ter uma árvore de família. Essas encontram-se hoje em "Inquirições de Génere" na Torre do Tombo, ou Registos Distritais.

Uma excelente fonte de dados genealógicos é a Igreja dos Santos dos Últimos Dias, ou Mormon. Os seus voluntários têm passado anos em Registos Civis por quase todos os países fotografando e colocando em microfilme, livros completos, que são acessíveis nos Centros de Pesquisas de Família em todo o

Mundo. É necessário fazer requisição aos seus repositórios em Salt Lake City, nos EUA, ou na Europa, dos seus Arquivos Centrais na Alemanha.

Este facto permite fazer pesquisas sobre os Registos de antepassados, por exemplo em Portugal, quando residindo em qualquer outro país.

(Para mais informações visite o Centro de Estudos da Família na Igreja dos Santos dos Últimos Dias (Later Day Saints) mais próxima ou veja na Internet www.familysearch.org

Este "site", como muitos outros, está em língua inglesa.

INFORMÁTICA

O uso de computadores facilita bastante o trabalho genealógico. Programas capazes de manter arvores de família são muitos e usualmente muito bons. Todos eles produzem relatórios em várias formas, gráficos e listas que podem ser transferidos entre eles na forma de ficheiros GED.

Essa é uma forma convencionada, que facilita exportar, importar e distribuir a valiosa database de informações já arquivadas.

Uma boa razão para desejar transferir ficheiros entre programas é que eles variam no formato e apresentação de relatórios, então os pesquisadores"a sério" usam dois ou três programas para puderem tomar vantagem dessas diferenças.

Quando se encontra um possível familiar, também pesquisador, podem-se trocar informações, árvores completas ou parciais através de ficheiros GED.

Pessoalmente, comecei por usar o programa "Brother´s Keeper" que achei muito bom, mas quando me juntei a um grupo local, passei a usar o mesmo programa que os outros usavam que é o "Family Tree Maker", um programa comercial com muito sucesso na América do Norte.

Um dos programas mais fáceis de usar, rápido, económico, e, que permite a desenhar e imprimir grandes àrvores é o GenoPro Gold, que pode ser obtido de: www.genoprogold.com

Pode tambem usar o programa "PAF" cujas versões mais antigas são distribuídas gratuitamente na Internet.

Em Portugal existem vários óptimos programas especializados e em Português.

INTERNET

Ainda não se encontram "em linha" na Internet, imagens ou transcrições de certidões, o que seria o ideal, mas já vão aparecendo CDs com registos variados.

No Canada e Estados Unidos, aonde este tipo de pesquisa tem muito mais aderentes, há colecções de CDs com toda a variedade de informação. Enquanto que em Portugal, se bem que muitos voluntários passam horas esquecidas a transferir dados para computadores, ainda falta muito para que isso proporcione soluções práticas.

Na Internet um dos grupos de discussão em Português com maior sucesso é o "News" http://lists.rootsweb.com/index/intl/PRT/PORTUGAL.html , aí muitas pessoas interessadas fazem perguntas, e recebem excelente assistência de voluntários através do E-mail.

A Sapo tem uma zona genealógica muito impressionante chamada GENEA PORTUGAL, em genealogia.sapo.pt , numa das suas áreas é "Famílias", que merece bem uma visita bastante demorada. Outras zonas de interesse são por exemplo:

Torre do Tombo em Lisboa: www.iantt.pt
Genforum http://www.genforum.familytreemaker.com
Lusa Web www.lusaweb.com/genealogia/
Exemplo de excelentes "Sites" repletas de informação por respeitados Profissionais de Pesquisas: Manuel Alves: http://www.terravista.pt/nazare/3064
Doug da Rocha Holmes: www.dholmes.com/rocha1.html
Centro de Estudos de Família, aonde pode seguir "links" até listas de microfilme e instruções para os consultar (em inglês): www.familysearch.com
Portal da História, imprescindível, para consultar dados históricos e biográficos: www.arqnet.pt/portal/directorio/ih_insbu.html
www.arqnet.pt/dicionario/index.html

Porque o Internet é uma coisa viva, mudando constantemente, algumas destas páginas podem ter já desaparecido, então o melhor é fazer frequentes pesquisas em "search engines": www.sapo.pt
www.altavista.pt
www.clix.pt
www.yahoo.com
www.lycos.com

E veja a melhor e mais completa list de Genealogia do mundo inteiro: http://www.cyndislist.com/index.htm

E-mail é uma importantíssima utilidade para comunicar documentos. É pratica comum dos pesquisadores profissionais, fazer uma copia de cada documento encontrado, fazer um electrónico scan, e envia-lo por E-mail. Quando possível, este processo é muito rápido e a copia recebida é tão boa como o original.

FOTOS E DOCUMENTOS

Fotos antigas, de família, são muito preciosas! Recomenda-se, aqui estridentemente, que sejam copiadas ou idealmente um "scan" feito o mais depressa possível para serem guardadas electronicamente! Com uma fotografia antiga temos oportunidade de passar a futuras gerações a aparência dos nossos antepassados!

Bisavó Ana (1915?) e Reverso da foto com dedicatória

Na maioria dos casos, o "scan" de uma foto deve ser feito a 300 dpi (dots per inch) ou pontos por polegada, o que dá uma imagem clara, que quando salva num formato .JPG (compressão) faz uma ficha de um tamanho razoável que não irá encher demasiadamente o disco fixo do computador e que numa simples impressora dá excelentes resultados.

Nunca esquecer de verificar o carimbo do fotografo para indicação da data ou até do local aonde a foto foi tirada e quaisquer notas escritas na frente ou por trás que dão por vezes pistas valiosas.

E se uma fotografia estiver velha e danificada, há programas e, bons profissionais, que a podem retocar com grande sucesso.

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